| A J�ia no Jap�o ? |
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Por Cristiane Sato ? O conceito de j�ia no ocidente difere do japon�s. Provavelmente isso est� relacionado � concep��o secular de moda no Jap�o. N�o se via no vestu�rio tradicional complementos como colares, an�is, brincos e pulseiras, mas isso n�o quer dizer que os japoneses n�o usassem j�ias. Trata-se de uma quest�o de diferentes concep��es do que � uma j�ia. No Jap�o antigo colares e pulseiras com contas de vidro, madrep�rola e jade (de influ�ncia chinesa) eram usados pelos homens e mulheres da nobreza. Com a evolu��o do artesanato t�xtil em seda deu-se �nfase ao pr�prio tecido nas formas de vestu�rio, conseq�entemente os acess�rios chineses ca�ram em desuso. A escassez de metais preciosos no arquip�lago, como a prata e o ouro, e de pedras preciosas como diamantes, rubis e esmeraldas, tamb�m foram fatores que limitaram a produ��o de j�ias como as que conhecemos no ocidente. No s�culo XIX, quando o Jap�o passou a receber influ�ncia das pot�ncias ocidentais, as j�ias, como conhecemos, causaram impacto no pa�s, as j�ias ocidentais tornaram-se sonho de consumo das mulheres japonesas. Somente a partir da� � que surge no Jap�o a preocupa��o em produzir j�ias de acordo com gostos ocidentalizados. Assim, adornos de uso pessoal eram, via de regra, feitos com materiais e acabamentos que no ocidente provavelmente n�o seriam considerados exatamente j�ias. Eram usados: madeira laqueada, coral, madrep�rola, casco de tartaruga, marfim, jade e opalina, embora esses acess�rios n�o sejam exatamente baratos em termos monet�rios. Para o japon�s o que encarece, o que torna um acess�rio uma j�ia ou n�o, � trabalho humano, s�o as pessoas que fazem a decora��o e acabamento da pe�a transformando material bruto em arte e n�o sua mat�ria-prima cara. A gueixa, elemento feminino famoso e t�o atraente aos olhos ocidentais, usa os enfeites de cabe�a com extremo cuidado, eles n�o s�o colocados aleatoriamente, seguem estilos e variam de acordo com a idade da gueixa, esta��o do ano e ocasi�o (formal, informal, palco, banquete, etc.). Esses enfeites recebem a denomina��o gen�rica de kanzashi e s�o muito variados: espetos simples com bolinhas de coral, p�rolas ou jade; palitos com as extremidades alargadas em formas de p�s e p�s-de-cabra; buqu�s de flores moldadas em tecido ou esculpidas em materiais s�lidos; pentes largos e decorados cuja parte superior � feita para ficar aparente. Em livros sobre Japonismo e nos anu�rios de antiguidades da Lyle podemos encontrar fotos de pentes decorativos, inr�s e netsukes. O pingente met�lico, muito conhecido, costuma ser feito em prata - um longo espeto com uma extremidade em forma de mini-leque semicircular de mais ou menos 8 cm, em cujas extremidades prendem-se v�rios filetes de 5 cm de comprimento com argolinhas. Pouca gente sabe, mas os leques no Jap�o s�o acess�rios quase obrigat�rios ao kimono. Alguns chegam a ser considerados quase j�ias dependendo do tipo de acabamento e do papel (em alguns casos eles tamb�m indicam o n�vel social do seu portador, ou o grau de import�ncia dessa pessoa em sua profiss�o). Muito tradicionais s�o as caixinhas inr� e os prendedores netsuke, eles eram usados como "bolsas" de kimono, principalmente por homens. Feitos em madeira esculpida e laqueada, com detalhes em marfim, madrep�rola e jade, eram acess�rios t�o elaborados que embora n�o sejam mais usados h� mais de um s�culo os colecionadores pagam fortunas por eles at� hoje. As mulheres japonesas hoje est�o retomando a �est�tica? tradicional e podemos v�-las nas ruas portando os quimonos. A composi��o do conjunto fez retornar os pentes e acess�rios de cabelo no entanto hoje eles t�m design, formas particulares e exclusivas. ? Cristiane A.Sato � colaboradora do portal www.culturajaponesa.com.br . � tamb�m autora do livro "Japop - o Poder da Cultura Pop Japonesa" � venda em livrarias e sites. Seu trabalho de pesquisa sobre essa cultura est� diretamente voltado � Moda. www.japop.com.br ? |