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Junho de 2003
? Claudia Petrella � designer de j�ias e professora de Design de J�ias. Al�m disso produz designs para Joalheria de S�o Paulo. Fez diversos cursos dentro e fora do pa�s, todos relacionados ao universo da Joalheria. � pessoa altamente conceituada e reconhecida no ramo por seu profissionalismo e dedica��o. JeA - Como surgiu a Joalheria em sua vida? C.P - A Joalheria come�ou por acaso e acabou transformando-se num caso perdido de paix�o. JeA - H� quanto tempo? C.P - 17 anos... JeA - Como tem sido essa "traget�ria"? C.P - Como dizem por a�, quando se est� no caminho certo as coisas caem do c�u, assim foi comigo e a Joalheria. Fui finalista (n�o vencedora) de um concurso internacional, a� fui convidada para dar aulas. Algum tempo depois venci um concurso nacional ao mesmo tempo em que iam surgindo clientes particulares. JeA - Voc� fez cursos da �rea? C.P - Fiz diversos cursos como Classifica��o de Diamantes pelo HRD da B�lgica, Cursos de Gemologia, Metais, Ourivesaria, Fundi��o e at� hoje continuo fazendo cursos, h� sempre espa�o para aprender. JeA - Entre os diversos materiais com os quais trabalha, qual � a "menina dos olhos"? C.P - Ah! Minha paix�o s�o as gemas. Todas! Cada uma tem sua personalidade, sua cor, suas inclus�es e cada uma � um mundo � parte. JeA - Como trabalha com elas no processo de cria��o? C.P - Criar com gemas � muito gratificante e cada pe�a pronta � como um "filhinho". A gente se d� para cada um, come�ando com a cria��o, que � o verdadeiro ato de concep��o; at� sua venda, que � quando entregamos "nosso" filho para os outros tomarem conta... JeA - Falando sobre Cria��o, existe uma f�rmula para criar? C.P - N�o, cada pessoa tem um modo de perceber o mundo e demonstrar isso, o importante � tentar passar nossa vis�o para os outros, cada um na sua forma. JeA - Qual sua id�ia sobre o "nascimento" da J�ia?, desde l� atr�s, muito longe! C.P - Desde que o mundo � mundo o ser humano tem a necessidade de se enfeitar. Com o passar dos s�culos isso transformou-se no que chamamos "Moda" e que era usada com obriga��o de impressionar. As j�ias fazem parte desse universo de luxo e poder. JeA - Essa imagem de luxo e poder � mesmo t�o forte? C.P - Com a mudan�a dos tempos a Joalheria foi desmistificada e ficou mais acess�vel a todos, n�o s� aos ricos e poderosos. Assim tornou-se mais din�mica e reagiu rapidamente �s mudan�as. A Joalheria hoje absorve e reflete a moda, as tend�ncias e as id�ias. Com a integra��o J�ia/Moda � Moda/J�ia o design de j�ias segue para infinitas dire��es. JeA - E a Arte nessa hist�ria toda, como fica? J�ia � arte? C.P - Sim, j�ia � arte, sem d�vida, mas existem formas diferentes de interpreta��o que podem ser consideradas mais art�sticas ou mais comerciais. As comerciais procuram atender ao gosto do consumidor, da massa, seguem a moda. As art�sticas procuram atender �s necessidades de express�o do seu criador, podendo ou n�o serem entendidas pelo p�blico consumidor. JeA - Como ficamos n�s, brasileiros, no meio desse universo todo? C.P - Nesse cen�rio din�mico que envolve todo o globo, come�a a surgir um desenho de j�ias brasileiro. JeA - Existe o perigo de perdermos "nossa cara" para tentar atender aos padr�es internacionais de beleza? C.P - Entramos nas tend�ncias internacionais sim mas n�o perdemos a nossa personalidade, a nossa ginga, a nossa sensualidade, isto �, a nossa natureza. JeA - Mas h� algum tempo atr�s nossas j�ias n�o tinham cara pr�pria n�o �? C.P - A busca de uma identidade tem aparecido com uma for�a maior de alguns anos para c�, h� aproximadamente 5 ou 7 anos e tem demonstrado uma grande maturidade em termos de cria��o. JeA - � poss�vel definir a "cara" da j�ia brasileira? C.P - Num pa�s com tais dimens�es n�o � poss�vel ver apenas uma "cara", s�o muitas faces. JeA - O que voc� diria que nos falta? C.P - Diria "faltava-nos" (felizmente!) um pouco de confian�a, mas come�amos a perceber que somos t�o capazes, ou mais, quanto qualquer criador al�m de nossas fronteiras (j� era tempo!). JeA - Para voc� que costuma visitar Feiras no exterior, como est� o design brasileiro fora do pa�s? C.P - Com nossas lindas gemas e nossa criatividade come�amos a aparecer nos mercados internacionais atrav�s de Feiras e Concursos � e estamos fazendo bonito! Nossos produtos t�m sido vistos e vendidos, os concursos est�o cheios de brasileiros entre finalistas e vencedores e podemos perceber que n�o devemos nada a ningu�m em termos de cria��o. Senhores empres�rios, acreditem nessa maturidade criativa que vem surgindo e confiem no criador brasileiro. � f�cil observar nossa mudan�a. JeA - Como voc� v� j�ias com "assinaturas" de pessoas "famosas"? C.P - Depende da pessoa... Um artista que realmente cria sua pe�a, tem seu ideal, quer passar sua vis�o, � uma coisa. Mas algu�m que est� na m�dia como modelos, atores, socialit�s, t�m em mente vantagens financeiras (nada contra!). JeA - O que � uma j�ia para voc�? C.P - Ai... agora tem gente que n�o vai gostar... Para mim j�ia � tudo que � para o adorno pessoal, desde que tenha um racioc�nio sobre sua cria��o, pode ser de papel, pl�stico e n�o s� com materiais nobres... Temos um lindo tema para uma conversa e discuss�o. JeA - Conselhos? C.P - Precisamos confiar na nossa intui��o e na nossa capacidade. Estamos aqui para ficar! Vamos continuar crescendo e estudando (muito) para n�o estagnarmos. Gente, o futuro � brasileiro! |
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