Entrevista

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Cl�udia Santana
Jornalista

Cl�udia Santana � formada em jornalismo pela PUC-SP e p�s-graduada em Comunica��o pela Funda��o C�sper L�bero. Fez cursos de Extens�o Universit�ria em Marketing na ESPM e Comunica��o Empresarial na USP. Trabalhou na Madia Mundo Marketing, na R�dio CBN, no SBT, na Accesso e na revista 18 Quilates. Atualmente � editora das revistas J�ia & Cia e Brilho Fashion. Tamb�m � diretora da S&S Assessoria de Comunica��o, empresa especializada em Comunica��o Empresarial.

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J.A. - Quando voc� cursava Jornalismo j� sentia atra��o por alguma �rea em especial?
C.S. - Tinha muito interesse por pol�tica e uma queda toda especial por teatro e literatura.

J.A. Por que joalheria?
C.S. - A Joalheria entrou em minha vida por acaso. Trabalhava na Accesso, uma assessoria de imprensa e um dos meus clientes era o World Gold Council. ?‰ claro que fiquei fascinada pelo ramo. A hist�ria da arte da joalheria, a simbologia das gemas e o glamour que permeava esses assuntos, despertou meu interesse. S�o assuntos �timos para serem pesquisados e logo vi que poderiam render grandes mat�rias. Por indica��o do Sr. Raymond Malvett, diretor da WGC, fui trabalhar na 18 Quilates, revista que tinha como proposta, mostrar que, al�m de um bom neg�cio, a j�ia tamb�m � arte e design. Foi nessa �poca que acabei me especializando. Conheci joalheiros, ourives e designers fant�sticos, que me ajudaram a desvendar os segredos e mist�rios do ramo.

J.A. Como � para uma mulher trabalhar com algo t�o fascinante como j�ias? O lado feminino d� muitos palpites?
C.S. - Hoje bem menos que no in�cio. Quando comecei no ramo, achava tudo lindo e maravilhoso. Ficava babando em tudo o que via. Hoje sou muito mais cr�tica. Olho primeiro o forro da pe�a, para ver se est� bem feita, se tem porosidade, se as pedras s�o boas e se est�o bem cravadas etc. Depois analiso o design, procuro ver o que ele tem de especial, quais as tend�ncias que o influenciaram. Meu olhar ficou mais cr�tico e menos apaixonado. J� n�o � qualquer pe�a que me arranca suspiros. Agora, at� meu marido tem receio de me presentear com j�ia, pois acha que vou ficar apontando os defeitos... Mas n�o � bem assim. Acho que toda pe�a tem seu encanto. Fico especialmente fascinada quando se trata de algo simples, mas especial. Acho que � f�cil criar j�ias caras e encantadoras, com muitos brilhantes e requinte. Dif�cil � fazer algo acess�vel e interessante, a partir s� do metal, por exemplo.?

J.A. Voc� nunca foi "tentada" a sentar numa bancada de joalheria para produzir alguma pe�a? Ou desenh�-la para que um ourives a fizesse para voc�?
C.S. - A �nica coisa que sei fazer bem com as m�os � digitar no computador. N�o tenho habilidade nenhuma para desenhar ou fazer trabalhos manuais. ?‰ por isso que admiro tanto os ourives. Fico impressionada como eles conseguem dominar o metal e fazer coisas incr�veis. J� passei horas sentada ao lado de ourives para aprender como se faz j�ias. Aprendi, com essa experi�ncia. que nunca vou conseguir fazer nenhuma pe�a. Se me deixarem com um ma�arico na m�o, sou capaz de p�r fogo na banca! Mas essa limita��o n�o me impede de ter conhecimento sobre os processos de confec��o de uma j�ia. N�o sei fazer, mas sei ver como foi feita e se est� tecnicamente bem resolvida.

J.A. No que se refere � joalheria, como est� a imprensa hoje em nosso pa�s? ?‰ um assunto valorizado?
C.S. - Fora a m�dia especializada, que trabalha bem as informa��es do setor, os ve�culos de interesse geral s� agora est�o dando mais destaque para a joalheria. Isso est� ocorrendo, porque v�rias empresas do ramo contrataram assessorias de imprensa para tentar gerar not�cias na m�dia. Conseq�entemente, tem aumentado o espa�o dedicado ao setor nos jornais, nas revistas e na televis�o. Isso � bastante positivo, pois ajuda a aproximar as j�ias do consumidor final. Afinal, o ramo precisa vender mais. Urgente!

J.A. Podemos fazer algumas compara��es com outros pa�ses?
C.S. - Em termos de revista especializada, acho que estamos em p� de igualdade com outros pa�ses. Embora reconhe�a que a "J�ia & Cia" ainda tenha muito o que melhorar, o que � compreens�vel, pois s� temos 3 anos de exist�ncia, acho o ve�culo at� melhor do que muitas revistas estrangeiras. Acho que a "J�ia & Cia" tem retratado bem a evolu��o do setor no Brasil. As ind�strias nacionais hoje est�o mais profissionais do que nunca e a revista reflete esse avan�o.

J.A. O que pode ser mudado?
C.S. - Acho que a tend�ncia natural � a revista melhorar o seu conte�do e sua forma gr�fica. Quanto mais consistente for o mercado, mais ela ir� se fortalecer, crescer e se aperfei�oar

J.A. Como voc� v� a atua��o dos designers hoje?
C.S. - Quando comecei a trabalhar no ramo, em 1994, os designers lutavam para mostrar �s ind�strias, que era preciso investir em design. Hoje, de modo geral, as empresas reconhecem a import�ncia dessa profiss�o. Todas as grandes ind�strias contrataram designers para criar suas cole��es e tivemos uma melhora substancial na qualidade de cria��o de nossos produtos.

J.A. H� algum assunto com o qual voc� gostaria de trabalhar e ainda n�o houve oportunidade?
C.S. - Gostaria de levantar a hist�ria do design no Brasil, destacando os profissionais que foram precursores nessa �rea e as j�ias que marcaram �poca. ?‰ um projeto que exige muita pesquisa e, quem sabe, um dia eu tenha tempo para concretiz�-lo.

J.A. Sob o ponto de vista de uma jornalista, voc� poderia resumir numa frase o atual momento da joalheria no Brasil?
C.S. - Acho que nesse momento cabe bem uma frase do Lulu Santos: "Nada do que foi ser� do jeito que j� foi um dia". Nunca mais o ramo ser� como antes, portanto n�o adianta as empresas se agarrarem ao passado. As vit�rias de ontem n�o garantem mais o futuro de ningu�m. ?‰ preciso abrir espa�o para novas conquistas.?


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