Entrevista

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Arthur Lewis
Ourives e professor de Joalheria

J.A. - Em que �poca da sua vida surgiu o interesse pela joalheria?
A.L. - Tinha 13 anos quando, em uma curva da vida, tive a sorte de ser iniciado na arte da ourivesaria.

J.A. Como e onde ocorreu essa inicia��o?
A.L. - Foi nas oficinas da H. Stern Joalheiros que comecei a aprender as t�cnicas deste of�cio. Ap�s numerosos testes de admiss�o, deparei-me com uma sala pequena, onde funcionava a oficina do Sr. Arthur, italian�o de modos rudes, mas um enorme cora��o.

J.A. Pode contar um pouco mais sobre seu ambiente de trabalho, nesta �poca?
A.L. - Naquela oficina pequena, se abarrotavam onze ourives, dois polidores, uma secret�ria e o chefe, as bancadas eram encostadas umas �s outras e todos os espa�os eram ocupados por laminadores e ferramentas de todos os tipos. Sentados nestas bancadas estavam artes�os de gabarito, alguns beiravam os cinq�enta anos de profiss�o.?

J.A. O que voc� fazia l� ent�o?
A.L. - Minha primeira fun��o era manter tudo limpo, ch�o, paredes, m�quinas e ferramentas sempre tinindo, sair � rua para comprar materiais, pagar contas, etc.

J.A. E o trabalho de bancada, quando aconteceu?
A.L. - Quando sobrava tempo, tinha meus exerc�cios de bancada para fazer. Foram v�rios meses fazendo c�rculos com fios de cobre, serrando figuras geom�tricas e limando bordas, soldando seq��ncias intermin�veis de elos, sem nenhum prop�sito expl�cito, mas por tr�s disso estava um dos pontos b�sicos desta arte: o dom�nio das ferramentas. Depois de um ano me adaptando �s ferramentas, aconteceu o grande teste do aprendiz: Realizar a primeira pe�a de ouro. Por�m essa pe�a deveria estar perfeita e ser aprovada pelo chefe do controle de qualidade, um simp�tico senhor de sorriso largo, austr�aco e possuidor de um senso est�tico e geom�trico impressionantes, ele via erros angulares em pe�as ainda balan�ando em nossas m�os, quando nos aproxim�vamos de sua mesa. Seu nome era Rudolph. Este foi um grande mestre em sua rigidez e seriedade quanto � qualidade das j�ias ali confeccionadas.

J.A. E qual foi o resultado do teste?
A.L. - Passei no teste e comecei a viver o clima de ser um jovem aprendiz de ourives.

J.A. Deve ter visto pe�as bel�ssimas nascerem das m�os de excepcionais artistas?
A.L. - Era comum olhar para os lados e ver meu vizinho de bancada montando uma gargantilha de brilhantes e esmeraldas com 500 pedras, outros montando pulseiras bel�ssimas e de n�vel t�cnico de execu��o alt�ssimo. Tudo aquilo, s� alimentava o meu desejo de, um dia, conseguir fazer uma daquelas pe�as enormes. Isso demorou 11 anos para acontecer. Cheguei ao ponto de poder escolher as pe�as que queria fazer dentre as encomendas da oficina.

J.A. Deve ter sido um aprendizado de t�cnicas apurad�ssimas, n�o?
A.L. - Falando de t�cnicas de ourivesaria, j� passei por v�rias. Tive a sorte de fazer pe�as com alto n�vel de exig�ncias t�cnicas, as meia-alian�as eram esculpidas de um tarugo de ouro, n�o tinham emenda, requintados centro-fechos e gargantilhas que demoravam 40 dias para estarem prontas, espadas, crucifixos e incens�rios desfilaram por minha bancada.

J.A. Quando desejou ser um profissional independente?
A.L. - Passados 12 anos de forma��o t�cnica forte, resolvi partir para carreira solo. Sa� da empresa e montei um atelier que n�o deu certo, pois n�o tinha clientes. Foi respondendo a um an�ncio de jornal que encontrei a joalheria art�stica, fui contratado como ourives, para desenvolver as pe�as do designer Renato Camargo, pessoa esta que teve import�ncia vital na minha forma��o.

J.A. A diferen�a entre uma oficina do porte da H. Stern para uma oficina particular, com ferramentas mais modestas, deve ter sido "assustador" para voc�, n�o?
A.L. - Tendo contato com equipamentos mais modernos da arte de fazer j�ias, confesso que foi um choque me deparar com uma escola de joalheria, na qual os professores n�o sabiam nada e criavam mais dificuldades para o aluno do que facilidades. Por outro lado, a liberdade de cria��o era impressionante e, mesmo sem t�cnica, eles faziam arte e aprender a fazer arte foi o ensinamento que tirei deste breve encontro.?

J.A. - Quando come�ou a ensinar a sua arte?
A.L. - A partir de 1989, resolvi dar aulas. A� come�a uma nova era de aprendizado.

J.A. - Muitas dificuldades?
A.L. - Eu tinha uma boa t�cnica e uma p�ssima did�tica. Busquei solu��es nos livros especializados e, junto com um trabalho de auto-conhecimento, consegui melhorar um pouco. Hoje acredito ser aceit�vel como professor.

J.A. - Quais os planos para o futuro?
A.L. - Atualmente estou me preparando para fazer um curso de Forja com o Ricardo Pompilho e tamb�m de Esmalta��o e Cer�mica, (Serralheria e Marcenaria tamb�m me encantam), pois acho uma d�diva poder fazer com as m�os.

J.A. - Como voc� define a �rea da Joalheria?
A.L. - Hoje vejo esta arte como uma filosofia de vida. Fazer j�ias � pura alquimia, pois enquanto voc� transforma uma pepita bruta em uma fina j�ia, voc� tamb�m est� se transformando internamente atrav�s do sil�ncio necess�rio para uma execu��o perfeita e � desta forma que ministro meus ensinamentos, tento fazer o aluno entender a import�ncia do sil�ncio para se ter um bom aprendizado, pois quando estamos silenciosos, toda a t�cnica e criatividade flui do cosmo.


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