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Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br

A SIMBOLOGIA INDIANA NAS JÓIAS


Márcia Pompei(*)




A Índia figura entre os mais importantes centros de Joalheria do mundo. Surpresa???

Atualmente podemos encontrar joalheiros/designers que produzem peças tão excêntricas quanto belas e caras! Mas a Jóia é importante nesse país há cerca de 5 mil anos, e não como mera peça de adorno. A ela estão arraigados valores muito antigos de natureza étnica, religiosa e social.

Tanto desenhos quanto materiais têm um complexo caráter simbólico. As formas podem remeter a imagens da natureza, com significados às vezes óbvios, outros não. Pode-se encontrar desde reproduções de jóias antigas até novos lançamentos (cheios de personalidade e estilo), que chegam às vitrines de gigantes como Paris e Nova York.

As habilidades dos ourives, cravadores, lapidários, gravadores, esmaltadores são passadas entre gerações da mesma casta. A casta dos esmaltadores, os Sonar, encontrada em Jaipur, capital do Rajastão, é mal posicionada na escala social, apesar do trabalho minucioso e tão atrativo realizado por seus integrantes; parece-nos muito contraditório...

Os Bishnoi, parte de uma linhagem de defensores da natureza, vivem em Jodhpur, cidade do Rajastão. Esse grupo produz peças muito pesadas, em cobre e prata. Utilizam-se de figuras da natureza como fonte de expressão. São peixes que trazem fertilidade, dente de tigre que dá coragem e força, o círculo como representação do sol para dar energia.

Um fato importante é que a jóia indiana está fortemente ligada ao casamento, e existe uma grande necessidade de torná-lo visível. Aliás, toda a Índia é regulada pelas regras do casamento e da religião. Ao término do ato do casamento, o pai da noiva diz: "Agora eu lhe entrego esta menina adornada de ouro".

O dote é oficialmente ilegal nesse país, no entanto essa prática sobrevive, principalmente entre classes mais pobres. O único bem pertencente à mulher são as jóias que ela recebe da família ao casar-se, a Stridana, do sânscrito stri (mulher) e dana (presentes). Se ela se divorciar vai levá-las consigo (e apenas isso!!). Ao enviuvar ela não poderá mais usá-las em seu corpo, mas poderá passá-las às filhas.

O ouro é sempre o metal utilizado. Símbolo da deusa Lakshmi, esse metal é sinônimo de pureza e abundância, por esse mesmo motivo é proibido seu uso nos pés.

Nos meses entre setembro e março podemos ver filas nas portas das Joalherias (desde as portinhas estreitas até sofisticados estabelecimentos), é a época dos casamentos, as famílias esperam por sua vez para selecionarem as mais belas jóias que vão adornar a jovem noiva.

Algumas peças são indicadores da casta ou da religião.

As jóias de casamento na Índia têm o papel da aliança num casamento ocidental. A noiva se casa "carregada" de jóias, todas devem ser usadas nessa ocasião.
As peças mais utilizadas são: o Nath (brinco de nariz), o Bor (adorno usado na testa), o Paizeb (tornozeleira com sininhos) e os populares anéis, nos pés somente em prata. Uma peça tradicional é o Mangalsutram, que vem do sânscrito: Mangal (próspero, abençoado) e Sutram (cordão), é o cordão de casamento, só retirado em caso de morte do marido. Esse cordão é tecido com finas linhas de algodão tingidas de amarelo, são 108 pedaços de linha trançados (esse é um número de sorte para os indianos), um pingente é colocado no cordão para atrair ainda mais sorte.

O misticismo "fervilha" na Índia numa linda tonalidade dourada.


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(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalheria e especializações
no Atelier Márcia Pompei

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