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Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br

UM HOMEM CHAMADO SAINT-GERMAIN
O misterioso Conde Alquimista da Corte de Luís XV

Márcia Pompei(*)




Muito mistério cerca esse homem cuja idade e origem são duvidosas. São muitas as teorias a respeito de seu nascimento: filho da viúva do rei Carlos II da Espanha e um banqueiro de Madri; filho de um judeu português; de um judeu alsaciano; de um cobrador de impostos em Rotondo; filho natural do rei de Portugal; filho do Príncipe Ragoczy, Franz-Leopold, da Transilvânia. Essa última hipótese é a mais aceita e lógica. A história mostra que o Príncipe Ragoczy, provável pai de Saint-Germain, foi derrotado em luta contra o Império Austríaco visando recuperar seu poder independente, assim, suas propriedades foram confiscadas e seus filhos precisaram abandonar o nome Ragoczy. O filho mais novo, Saint-Germain, foi entregue ao último Duque de Medici que o educou.

Sofreu constantes mudanças de nomes e títulos, não se sabe ao certo se por motivo de segurança ou outro qualquer.

Falava no mínimo doze idiomas, possuía todos os dons que se pode listar, dominava todas as artes de forma geral. Tinha uma educação primorosa, sendo cortês, simpático, cativante, inteligente, paciente, entre tantas outras qualidades mencionadas por importantes figuras da época.

Nutria grande admiração por culturas orientais, meditava por horas e quando acordava relatava visitas feitas a terras distantes.

Não comia carne nem bebia vinho. Tinha habilidades curativas e utilizava ervas medicinais. Alguns relatos mencionam que sua aparência era a mesma em 35 anos. Segundo alguns registros de época acreditava-se que sua juventude era mantida pela alimentação equilibrada, pelo uso de ervas manipuladas pessoalmente e por dons misteriosos que o cercaram. Esteve sempre relacionado a fantasmas e seres sobrenaturais. Dizia-se que possuía uma legítima pedra vinda da lua.

Formou sociedades secretas, ocupou posição proeminente entre os Rosacruzes, os Maçons e os Cavaleiros Templários

Foi um Alquimista renomado e admirado. Relatos do conde Karl Cobenzl datados de 1763 descrevem uma cena em que "...diante de meus olhos Saint-Germain transmutou ferro em um metal tão belo quanto o ouro, e no mínimo igualmente bom para todos os trabalhos de um ourives...". Relatos semelhantes foram feitos pelo marquês de Valbelle e por Casanova.

Manuscritos da Corte de Luiz XV registraram o seguinte comentário: "...O Conde se veste de maneira simples, mas com bom gosto. Seu único luxo consiste em um grande número de brilhantes, com os quais se acha quase todo coberto. Usa-os em todos os dedos e são vistos cravejados em seu estojo de tabaco e nos relógios. Uma noite apareceu na corte com sapatos de enormes fivelas cravejadas de brilhantes que Herr von Gontaut, especialista em pedras preciosas, calculou valer 200 mil francos...."

Inúmeras obras que tratam dessa importante figura descrevem sua capacidade de melhorar a aparência das pedras preciosas. Seu dom pela arte de fundir jóias também é mencionado com freqüência.

Segundo relatos de Madame du Hausset o rei Luiz XV mostrou a Saint-Germain um grande diamante contendo uma jaça, pesou-a em sua frente e disse-lhe que se a pedra não tivesse aquela falha poderia valer quatro mil libras a mais do que valia naquele estado. Saint-Germain levou a gema e prometeu devolvê-la em um mês. Após esse período voltou ao rei com o diamante enrolado em amianto e totalmente limpo, perfeito. Ao pesar a pedra o rei percebeu que seu peso fora ligeiramente reduzido. Levado para ser examinado pelo joalheiro real o diamante foi avaliado no valor estimado pelo rei.

Madame de Pompadour, num dos inúmeros textos em que se refere ao conde, diz: "...distribuiu diamantes e jóias com surpreendente prodigalidade...", e o príncipe Karl de Hesse menciona: "... é um amigo da humanidade, que desejava dinheiro apenas para dá-lo aos pobres, um amigo dos animais, seu coração se preocupa tão-somente com a felicidade dos outros..."

Figuras como Saint-Germain e tantas outras especiais, que nos honram com suas presenças em nossas vidas, fazem pensar sobre o valor daquilo que nos cerca, o que será que uma jóia quer nos mostrar? Amigos verdadeiros valem mais do que o mais valioso dos diamantes. (e essa frase não é minha!)


Imagem
do livro "A Alquimia de Saint Germain", transcrito por Mark L. Prophet & Elizabeth Clare Prophet. Tradução de Terezinha Batista dos Santos - Nova Era - Propriedade literária da Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A


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(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalheria e especializações
no Atelier Márcia Pompei

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