Home ] Up ]

Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br

PRATA E OURO
YIN E YANG NOS METAIS

Márcia Pompei(*)





Conhecidos há cerca de 6.000 anos, esses metais nobres são citados em diversas culturas como elementos do deus Sol e da deusa Lua, associados às forças yin e yang na antiga China, feminino e masculino.
Estudos antropológicos do Neolítico chegam a mencionar que aqueles que manipulavam os metais incandescentes (fundição) eram vistos pela comunidade como "deuses", donos de poderes sobrenaturais.

Na cultura Asteca o ouro era chamado "teocuitlatl", excremento do deus sol. Já no antigo México a prata era considerada a "secreção branca" da divindade lunar. Os gregos acreditavam que o ouro surgia na terra por meio de uma interação entre os raios solares, que a penetravam, junto a alguns elementos, nela contidos.

Na Antigüidade ervas medicinais eram colhidas com instrumentos de ouro.

Reis e sacerdotes usaram muitos objetos de ouro não só pelo valor monetário desse metal mas também por acreditarem que dele emanava uma força extraordinária, uma energia vigorosa vinda do sol, isso podia torná-los mais fortes, mais corajosos, mais sábios. Por esse motivo surgiu o costume de usar peças de adorno em ouro: anéis, brincos, braceletes, colares; acreditando sempre que esse metal podia "expulsar" do corpo todas as impurezas. Jóias desse metal protegiam contra magia negra, mas em muitas das antigas culturas o ouro era reservado apenas à produção de objetos sagrados, proibido seu uso como peça de adorno.

A prata também foi considerada protetora. Atribuía-se às balas de prata o poder de matar feiticeiras e lobisomens. Conta-se que sacerdotes teriam enterrado estátuas de prata nas fronteiras do Império Romano para afastar os bárbaros. Quando essas estátuas foram removidas da terra o Império foi dominado pelos Godos, Hunos e Trácios.

No Cristianismo ortodoxo o ouro é símbolo de luz celestial e perfeição, facilmente percebido na decoração dourada dos ícones da Igreja oriental. É conhecida na Alquimia a incansável busca pelo poder capaz de transformar chumbo em ouro, representando aí a elevação espiritual, o conhecimento esotérico.

Nenhum ácido sozinho pode dissolver o ouro, somente a água-régia (ácido nítrico + ácido clorídrico) consegue fazê-lo. A prata é dissolvida pelo ácido nítrico formando o nitrato de prata.

O ouro puro é livre de oxidação; já a prata pura pode se alterar na presença do gás sulfídrico, formando sulfeto de prata. A liga de prata, por sua vez, se oxida facilmente, visto que está "misturada" a outro metal, o cobre.

Talvez esses sejam alguns dos motivos pelos quais tenha surgido o famoso e antigo ditado: "A palavra é de prata e o silêncio é de ouro", além da diferença no valor monetário entre esses dois metais. Mas houve uma época em que a prata chegou a valer o dobro do valor do ouro. Com as grandes descobertas viu-se que o metal existia em abundância e seu valor foi caindo em relação ao ouro.

Nada mais fascinante do que poder conviver com elementos belos e místicos que por tempos foram associados às esferas elevadas da espiritualidade.

Crie sua própria magia!!!


[ Índice ]

(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalheria e especializações
no Atelier Márcia Pompei

[ Topo da página ][  Voltar ]Home ]