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Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br

PLANTAS E ERVAS
A NATUREZA NA JOALHERIA



Márcia Pompei(*)




A criatividade do ser humano é algo que excede quaisquer expectativas.

No mundo das jóias isso é muito visível e apreciado, até os temas mais inesperados podem virar "estrelas" da estação, depende apenas do bom gosto, da beleza.

Atualmente temos visto em algumas vitrines pequenos pingentes em formatos de plantas, ervas, raízes. Podem ser usados em correntes no pescoço ou mesmo pulseiras, tornozeleiras, brincos e onde mais a imaginação levar.

Acredita-se que tragam boa sorte, bons fluidos, energias positivas e afastem todo o tipo de vibração baixa. Elas possuem a seiva da vida, são "seres" nascidos da mãe terra.

Em algumas regiões do Brasil encontramos um costume popular denominado banho de cheiro. É utilizado no período das festas juninas, em rituais e diversas épocas folclóricas e religiosas como Ascensão do Senhor, Sábado de Aleluia etc . É famoso o "Banho de 7 Ervas", o qual tem a capacidade de "fechar o corpo" contra todo o mal. As ervas envolvidas nesse preparado podem mudar de acordo com a região desse nosso grande país, mas as mais comuns são: Manjericão, Arruda, Alecrim, Malva Rosa, Malva Branca, Manjerona e Vassourinha.

As ervas sempre foram utilizadas pelo homem como fonte de cura e bem estar, afinal, são elas quem dão origem a medicamentos importantes.

A intimidade de nossos ancestrais com tais elementos era algo natural e lógico. Frutos, folhas, raízes e caules foram utilizados como alimento, remédio, para afastar insetos, neutralizar mordidas ou mesmo abreviar a morte.

Vemos tribos indígenas que ainda hoje utilizam vegetais para tratar diversos males. Em regiões altas da América Latina é comum o uso da folha da coca que, mastigada durante uma caminhada cansativa, auxilia a superar o desconforto da diferença de altitude.

A História antiga mostra mulheres "bruxas" utilizando ervas para aliviar dores, baixar febres, estancar sangramentos, proporcionar fertilidade, facilitar partos ou provocar abortos e, porque não?, restituir a juventude, a beleza física.

Flores, plantas e ervas eram utilizados em diversos templos das mais variadas seitas, em todas as partes do nosso planeta. Era uma forma de agradecimento, um simbolismo ou simplesmente decoração.

A Bíblia menciona as ofertas dos reis magos ao Cristo Menino, incenso (olíbano), mirra e ouro. A mirra e o incenso eram produtos tão valorizados quanto os metais nobres ou pedras preciosas, eram utilizados em perfumes, cosméticos e remédios, além de serem utilizados por seus atributos mágicos e religiosos.

Os egípcios empregavam a mirra no culto ao deus Sol e como ingrediente na mumificação. Suas qualidades anti-sépticas já eram conhecidas.

Gregos, romanos, babilônios, árabes, hindus e chineses, entre outros povos, utilizaram demasiadamente plantas aromáticas.

Nos dias de hoje algumas correntes esotéricas utilizam aromas de plantas para chegar a estados de meditação ou como fonte de cura, é a Aromaterapia, que compartilha de princípios da medicina herbária, homeopatia e acupuntura.

Vamos conhecer agora algumas ervas, várias delas desfilando pelas vitrines das mais belas joalherias.

Alecrim: Pequeno arbusto da família das Labiadas. Suas folhas são esverdeadas na parte superior e brancas na inferior. Gosta de regiões quentes. Desde a Roma antiga suas folhas estão associadas à imortalidade. Propicia a fertilidade, boa memória, vida longa e protege a região da garganta.

Alfazema: é um grande arbusto da família das Labiadas, originária da Europa, que apresenta flores azuladas. Estimula o cérebro, transmite calma, sabedoria. Indicada para problemas de reumatismo e para tonificar o couro cabeludo. Segundo alguns esotéricos essa é a planta dos anjos.

Arruda: Planta de odor muito forte e marcante. Suas pequenas folhas são de um tom verde escuro e fosco. Deve ser usada com cuidado pois pode ser tóxica. Espanta mau olhado e afugenta forças negativas.

Comigo-ninguém-pode: planta altamente tóxica. Suas folhas longas e verde escuras possuem pequenas manchas claras, "pintadas" sobre a superfície. Já eram usadas pelos índios ticunas no preparo do veneno chamado "curare". Seu uso evita que palavras sejam usadas contra quem o leva.

Ginkgo Biloba: outra planta tóxica que com acompanhamento médico pode ser usada como prevenção de alguns males da velhice. Seu uso traz melhoras na concentração, memória, agilidade motora e rapidez de pensamento.

Guiné: o uso interno dessa planta é desaconselhado por ser muito tóxica, é inclusive abortiva. Alivia dores quando aplicada na pele sobre um ferimento ou dores de cabeça. Essa erva afasta o mal criando um "escudo" protetor ao redor de quem a utiliza como peça de adorno ou amuleto.

Hortelã: Planta de odor ativo que propicia habilidade e perspicácia. Alivia dores intestinais e hepáticas. Também é aplicada em queimaduras para aliviar a dor e restabelecer a pele.

Malva: essa planta foi usada como remédio já no séc. VIII a.C. Segundo os seguidores de Pitágoras a Malva é uma planta sagrada que liberta o espírito da escravidão das paixões. Seu uso proporciona a calma e boa saúde.

Manjericão: é uma planta de origem africana, muito utilizada em saladas por seu aroma e sabor agradáveis. É calmante, alivia problemas respiratórios e irritações da pele.

Manjerona: seu óleo é usado como antiespasmódico. Também costuma ser usada para afastar insetos. Seu uso protege contra as pragas e ventos ruins, também estimula o sono e afasta dores de cabeça.

Vassourinha: planta da família das Malváceas que pode atingir até 60cm de altura. Ajuda em problemas femininos como regularização da menstruação e equilíbrio dos hormônios. Também protege ouvidos e dentes. Dizem os místicos que essa planta "varre" para longe toda a vibração negativa.

Tudo é parte da Natureza, plantas, árvores, seres humanos, pedras preciosas, metais, animais, vento, água, terra, fogo, seres microscópicos, somos partes uns dos outros, somos eternos parentes.

Um brinde à Natureza, essa grande alquimista que com sabedoria vai mudando, transformando tudo, reciclando. Para ela nada morre.

Bibliografia
Dicionário Ilustrado de Símbolos
Hans Biedermann
Editora Melhoramento

Enciclopédia de Conhecimentos Esotéricos
Alfredo Nieva
Editora Professor Francisco Valdomiro Lorenz

Elementos da Magia Natural
Marian Green
Editora Ediouro

Segredos e Virtudes das plantas medicinais
Seleções do Reader’s Digest

Plantas que Curam
Editora Três


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(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalheria e especializações
no Atelier Márcia Pompei

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