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Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br


FADAS


Márcia Pompei(*)




 

Nem mesmo o velho e bom dicionário Aurélio escapa a seus encantos.
Lá podemos ver: “Fada – entidade fantástica do sexo feminino à qual se atribuía poder sobrenatural e influência no destino dos homens.”

Elas agora batem as asas entre metais e pedras preciosas.


O nome vem do latim, Fata. Antigos registros de fadas, pequeninos seres dotados de asas, são encontrados na arte etrusca em 600 a.C. como espíritos dos campos e florestas, são as chamadas Lasas.

Estão associadas ao Culto dos Ancestrais (Culto aos Mortos). Ainda na cultura Etrusca encontramos fadas retratadas nuas, com asas e portando um pequeno frasco de elixir. Segundo a lenda, uma gota do elixir poderia curar qualquer doença, duas gotas revelariam os segredos da Natureza e três gotas transformariam o espírito em matéria ou vice-versa.

Na cultura Celta as fadas surgem somente após a ascensão do cristianismo, depois da ocupação romana. A crença existe desde tempos remotos nos mais diversos países e com diferentes conotações e aspectos. No entanto, um fator que coincide é sua forte ligação com a natureza e em especial árvores e lagos. Por esse motivo, também, são confundidas com seres elementais. Havia duas espécies:

  1. Aquelas semelhantes às ninfas e
  2. As verdadeiras magas, conhecedoras de ciências secretas, praticantes de sortilégios.

Sua imagem mais comum é a de uma criatura benéfica que protege os de bom espírito. No entanto, na Escócia, são vistas como seres selvagens que habitam florestas com a intenção de “roubar” crianças.

Durante toda a Idade Média foram descritas como seres angelicais, envoltos em melancolia, morando nos bosques sob as árvores, entre grutas e fontes.

Na Irlanda, o povo das fadas é chamado Sidhe. Vivem em uma sociedade onde há monarcas e hierarquia.

Na história do Rei Arthur (da Távola Redonda) vemos a “senhora do Lago”, Nimue, relacionada à proteção de Arthur, de seus ideais e de sua famosa espada.

O culto às fadas, na Sicília medieval, foi documentado pela Inquisição Espanhola e mostra a forte ligação dessas entidades à deusa Diana, chamada “rainha das fadas” pelos italianos. Junto ao lago italiano Nemi existia um templo de Diana. Esse lago era chamado “espelho de Diana” pois do templo podia ser visto o reflexo da lua cheia em sua superfície.

Diz-se que têm repulsa ao ferro. A provável origem dessa crença refere-se à utilização do metal para arar a terra e derrubar árvores, como se o homem violentasse a Natureza. Os domínios das fadas (sua morada) são protegidos rigorosamente. As entradas são secretas e normalmente escondidas em troncos de árvores. Uma noite em seus domínios corresponde a anos na contagem de tempo dos mortais. Aconselha-se a quem ingressar em seu mundo que deixe um pedaço de ferro na entrada evitando assim que se aproximem e fechem a passagem do “invasor”.

Diz-se que as fadas podem fazer milagres, maravilhas, predizer o futuro, transformar. Fazem feitiços e encantamentos mágicos para atrair sorte (quando respeitadas) ou infortúnio (quando maltratadas).

A superstição de “bater na madeira”, para afastar algo ruim, está ligada às Fadas. Essa prática funciona como um “pedido de socorro”, de proteção, a elas que vivem em bosques.

A varinha de condão é sua “ferramenta de trabalho”. Uma luz muito intensa e brilhante é vista na ponta desse objeto, talvez como símbolo da energia positiva canalizada para servir a quem necessite.

A Antiga Mitologia greco-romana tem suas “Três Fadas”. São as Moiras (na Grécia) ou Parcas (em Roma). São filhas de Zeus às quais cabe o destino de todos os seres mortais. Cloto é responsável pelo nascimento e tecido da vida; Láquesis responde pelo tempo de vida; Átropos é quem, com sua tesoura, corta o fio da vida.

E quem não se lembra das 3 fadas que protegiam Bela Adormecida? Ou daquela que deu a forma humana a Pinóquio? E mais, a fada madrinha de Cinderela, capaz de transformar uma abóbora em carruagem!

Tê-las ao nosso lado é muito bom, ainda mais em peças tão lindas e valiosas!

Bibliografia

Os mistérios Wicanoss
Raven Grimassi - Editora Gaia

Dicionário de Magia e Esoterismo
Nevill Drury - Editora Pensamento

Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo - Global Editora

Enciclopédia de Conhecimentos Esotéricos
Alfredo Nieva - Editora Professor Francisco Valdomiro Lore


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(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalharia e especializações
no Atelier Márcia Pompei. É formada em Propaganda e Publicidade e atua no ramo desde 1990. Estudou com grandes mestres da Joalheria brasileira. Participou de exposições dentro e fora do país. Desenvolve uma linha de material didático abordando diversas áreas da Joalheria.
mapompei@joia-e-arte.com.br
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